segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

O Meu Dever é falar, para não ser tomado por cúmplice


“Que patifes, as pessoas honestas” é uma citação atribuída ao escritor francês Émile Zola, que me revisita sempre que vejo os políticos justificarem com o manto diáfano da legalidade comportamentos que a ética e a moral rejeitam. E é ainda Zola que volta quando a incoerência desperta o meu desejo de falar, para não ser tomado por cúmplice.
Foi duplamente incoerente o apelo ao respeito e à valorização dos professores que Cavaco Silva fez há dias em Paredes de Coura. Incoerente quando confrontado com o passado recente e incoerente face ao que tem acontecido no decurso da própria campanha eleitoral. Em 2008 e 2009, os professores foram continuamente vexados sem que o Presidente da República usasse a decantada magistratura de influência para temperar o destempero. E foi directa e repetidas vezes solicitado a fazê-lo. Por omissão e acção suportou e promoveu políticas que desvalorizaram e desrespeitaram como nunca os professores e promulgou sem titubear legislação injusta e perniciosa para a educação dos jovens portugueses. Alguma ridícula e imprópria de um país civilizado, como aqui denunciei em artigo de 11.9.06. Já em plena campanha, Cavaco Silva disse num dia que jamais o viram ou veriam intrometer-se no que só ao Governo competia para, dias volvidos, aí intervir, com uma contundência surpreendente, a propósito dos cortes impostos ao ensino privado. Mas voltou a esconder-se atrás do silêncio conivente, agora que é a escola pública o alvo de acometidas sem critério e os professores voltam a ser tratados, aos milhares, como simples trastes descartáveis.
Imaginemos que o modelo surreal para avaliar professores se estendia a outras profissões da esfera pública. Que diria Cavaco Silva? Teríamos, por exemplo, juízes relatores a assistirem a três julgamentos por ano de juízes não relatores, com verificação de todos os passos processuais conducentes à sentença e análise detalhada do acórdão que a suportou. Teríamos médicos relatores a assistirem a três consultas por ano dos médicos de família não relatores; a verificarem todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes. Imaginemos que os juízes teriam que estabelecer, ano após ano, objectivos, tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar. O mesmo para os médicos: doentes a ver, a declarar não doentes, a tratar directamente ou a enviar para outras especialidades, devidamente seriadas e previstas antes do decurso das observações clínicas. Imaginemos que o retorno ao crime por parte dos criminosos já julgados penalizaria os juízes; que a morte dos pacientes penalizaria os médicos, mesmo que a doença não tivesse cura. Imaginemos, ainda, que o modelo se mantinha o mesmo para os juízes dos tribunais cíveis, criminais, fiscais ou de família e indistinto para os otorrinolaringologistas, neurologistas ou ortopedistas. Imaginemos, agora, que um psiquiatra podia ser o relator e observador para fins classificativos do estomatologista ou do cirurgião cardíaco. Imaginemos, por fim, que os prémios prometidos para os melhores assim encontrados estavam suspensos por falta de meios e as progressões nas respectivas carreiras congeladas. Imaginemos que toda esta loucura kafkiana deixava milhares de doentes por curar (missão dos médicos) e muitos cidadãos por julgar (missão dos juízes). A sociedade revoltava-se e os profissionais não cumpririam. Mas este modelo, aplicado aos professores, está a deixá-los sem tempo para ensinar os alunos (missão dos professores), com a complacência de parte da sociedade e o aplauso de outra parte. E os professores cumprem. E Cavaco Silva sempre calou.
Ultrapassámos os limites do tolerável e do suportável. Ontem, o estudo acompanhado e a área-projecto eram indispensáveis e causa de sucesso. Hoje acabaram. Ontem, exigiram-se às escolas planos de acção. Hoje ordenam que os atirem ao lixo. Ontem Sócrates elogiou os directores. Hoje reduz-lhe o salário e esfrangalha-lhes as equipas e os propósitos com que se candidataram e foram eleitos. Ontem puseram dois professores nas aulas de EVT em nome da segurança e da pedagogia activa. Hoje dizem que tais conceitos são impróprios. Ontem sacralizava-se a escola a tempo inteiro. Hoje assinam o óbito do desporto escolar e exterminam as actividades extracurriculares. Ontem criaram a Parque Escolar para banquetear clientelas e desorçamentar 3 mil milhões de dívidas. Hoje deixaram as escolas sem dinheiro para manter o luxo pacóvio das construções ou sequer pagar as rendas aos novos senhores feudais. Ontem pagaram a formação de milhares de professores. Hoje despedem-nos sem critério, igualmente aos milhares.
Os portugueses politicamente mais esclarecidos poderão divergir na especialidade, mas certamente acordarão na generalidade: os 36 anos da escola democrática são marcados pela permanente instabilidade e pelo infeliz desconcerto político sobre o que é verdadeiramente importante num sistema de ensino. Durante estes 36 anos vivemos em constante cortejo de reformas e mudanças, ao sabor dos improvisos de dezenas de ministros, quando deveríamos ter sido capazes de estabelecer um pacto mínimo nacional de entendimento acerca do que é estruturante e incontornável para formar cidadãos livres. Sobre tudo isto, o silêncio de Cavaco Silva é preocupante e obviamente cúmplice.


Santana Castilho

domingo, 21 de novembro de 2010

Chomsky e as 10 Estratégias de Manipulação


O linguista americano Noam Chomsky elaborou a lista das "10 estratégias de manipulação" através da comunicação social:

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRACÇÃO.
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distracção que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e económicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distracções e de informações insignificantes.
A estratégia da distracção é igualmente indispensável para impedir o povo de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área das ciências, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à quinta como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".


2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.
Este método também é chamado "problema-reacção-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reacção no público, a fim de que este tenha a percepção que participou nas medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público exija novas leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.


3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradualmente, a conta-gotas, durante anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconómicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários baixíssimos, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.


4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é aplicado imediatamente. Segundo, porque o público - a massa - tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá vir a ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se à ideia da mudança e de aceitá-la com resignação quando chegar o momento.


5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO SE DE CRIANÇAS SE TRATASSEM
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entoação particularmente infantis, muitas vezes próximos da debilidade mental, como se cada espectador fosse uma criança de idade reduzida ou um deficiente mental. Quanto mais se pretende enganar ao espectador, mais se tende a adoptar um tom infantilizante. Porquê? "Se você se dirigir a uma pessoa como se ela tivesse 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a dar uma resposta ou reacção também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranquilas")".


6- UTILIZAR MUITO MAIS O ASPECTO EMOCIONAL DO QUE A REFLEXÃO.
Fazer uso do discurso emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e pôr fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para incutir ideias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...


7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores e as classes sociais superiores seja e permaneça impossível de eliminar (ver 'Armas silenciosas para guerras tranquilas')".


8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.
Promover no público a ideia de que é moda o facto de se ser estúpido, vulgar e inculto...


9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência da sua inteligência, de suas capacidades, ou do seu esforço. Assim, ao invés de revoltar-se contra o sistema económico, o indivíduo autocritica-se e culpabiliza-se, o que gera um estado depressivo, do qual um dos seus efeitosmais comuns, é a inibição da acção. E, sem acção, não há revolução!


10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.
No decorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado um crescente afastamento entre os conhecimentos do público e os possuídos e utilizados pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos sobre si próprios

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

domingo, 5 de setembro de 2010

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Diários da Biodiversidade


CONCURSO


Para assinalar o Ano Internacional da Biodiversidade que se comemora em 2010, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, com o apoio da REN, promove, para crianças e jovens até aos 18 anos residentes em Portugal ou em qualquer país de língua oficial portuguesa, o concurso Diários da Biodiversidade. O objectivo desta iniciativa é não só desenvolver o gosto e o interesse de jovens e crianças pelas Ciências da Vida, mas principalmente sensibilizar as novas gerações para a questão da conservação da natureza e da biodiversidade e para o problema da gestão sustentável de espécies e habitats naturais da fauna e da flora no nosso planeta.

O concurso Diários da Biodiversidade convida os jovens e as crianças ao contacto directo com a natureza e à observação de seres vivos que tanto podem ser animais como plantas ou mesmo fungos.Tal como fez Darwin durante a sua viagem no Beagle há quase dois séculos, os participantes no concurso Diários da Biodiversidade irão elaborar um diário em formato de caderno de anotações no qual descreverão os seres vivos que vão procurando e encontrando ao longo de um período que pode ir de um mês a quase um ano, identificando as características que considerem mais importantes por meio de textos, ilustrações, fotos ou outros meios.


Para mais informações sobre o concurso, é favor consultar o REGULAMENTO

quarta-feira, 21 de abril de 2010

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Um suicídio no trabalho é uma mensagem brutal


No Público de 30 de Janeiro de 2010 consta uma entrevista com um especialista em Psicologia do Trabalho e da Acção, Christophe Dejours, professor no Conservatoire National dês Arts et Métiers, em Paris. Mereceu a nossa particular atenção precisamente por tudo o que se esteve e está a passar no ensino em Portugal no que se refere aos professores e ao sistema de avaliação que vimos reflectidos no referido artigo.


Este especialista pertence a “uma das raras equipas no mundo que estuda a relação entre trabalho e doenças mentais”. Verificou-se recentemente “a emergência de suicídios e de tentativas de suicídio no próprio local de trabalho…o facto de as pessoas irem suicidar-se no local de trabalho tem obviamente um significado.” Deixa, efectivamente, uma mensagem inequívoca sobre as razões que estão por trás desse acto derradeiro, que nada teve a ver com razões de vida pessoal e segundo o mesmo especialista, quem o pratica, muitas vezes não teve no seu passado qualquer problema de ordem psicopatológica.


De acordo com o estudo, efectuado por este Psiquiatra, o fenómeno tende a afectar principalmente “… os que gostam do seu trabalho, …os mais envolvidos profissionalmente”. Na base está a forma como as empresas se organizaram: “ a introdução de novos métodos de avaliação do trabalho, em particular a avaliação individual de desempenho…A avaliação individual é uma técnica extremamente poderosa que modificou totalmente o mundo do trabalho… as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas é agora uma ameaça… as pessoas aprendem a sonegar informações … aos poucos… a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe… ”


Se juntarmos a isto um sistema de cotas fomentador da competição por salários mais altos está montado um verdadeiro cocktail molotov.


Numa escola não cabe o individualismo. É essencial o trabalho de equipa, a solidariedade e o espírito de entreajuda. Estes valores são fundamentais para um bom ambiente, fomentador de boas práticas e de um ensino de qualidade.


À luz desta entrevista é importante fazer uma reflexão séria sobre as consequências a médio e longo prazo da aplicação do sistema de avaliação individual dos professores bem como do sistema de cotas. Trata-se da lógica empresarial aplicada onde nunca deveria ter posto o pé. Trata-se de encarar a escola como se encara uma linha de montagem – quem fabricou mais sucesso escolar!?

Além de ser obviamente fatal para a forma de funcionamento das escolas, este sistema tem tudo para levar à tragédia: conduzirá à degradação do ambiente entre os professores; comerá aos poucos os princípios por que se rege a vida escolar e no fim deixará apenas desolação, isolamento, frustração...

Turmas com menos alunos... sim ou não?


O texto que se segue resultou de uma tradução livre do mesmo, com alguns acrescentos para fazer a adaptação à nossa realidade.


Pesquisa feita pela Michigan State University: Turmas reduzidas trazem benefícios, a longo prazo, para todos os alunos


Contacto: Spyros Konstantopoulos, Education, Office: (517) 432-0259, spyros@msu.edu

Publicado em Oct. 09, 2009 r


Spyros Konstantopoulos é um professor que se encontra ligado às Ciências da Educação, no seu estudo refere que integrar alunos em turmas pequenas, vários anos seguidos, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade, beneficia o desempenho escolar, não só nesse período mas também nos restantes anos que fazem parte do seu percurso escolar.


Constituir classes pequenas, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade que compreendem, em Portugal, os anos que decorrem entre a pré-primária e o segundo ciclo de ensino básico, (elementary school, dos 4 aos 11 anos), dá aos alunos a possibilidades de alcançar um melhor sucesso escolar nos níveis de ensino mais avançados, (que correspondem em Portugal ao terceiro ciclo e secundário), de acordo com os primeiros estudos realizados por uma Universidade do Estado do Michigan.


Konstantopoulos, professor associado, ligado às Ciências da Educação, esteve à frente do primeiro estudo que avaliou os efeitos do tamanho das turmas, nos alunos, ao longo de um período de tempo significativo, de forma a poder observar as suas consequências na aquisição de conhecimentos e desenvolvimento de competências por parte destes. Do seu estudo fizeram parte todo o tipo de alunos, desde os que apresentavam fracos desempenho escolar aos que obtinham os melhores resultados. O mesmo foi posteriormente publicado no American Journal of Education.


Konstantopoulos é membro do comité - The U.S. Department of Education’s Institute of Education Sciences – que faz recomendações oficiais no que respeita ao tamanho das turmas, em cada estado. Referiu que as suas recomendações reflectiriam as conclusões da sua pesquisa: o melhor plano de ataque passa por constituir turmas pequenas (13 a 17 alunos) nos anos escolares que vão desde o Jardim-de-infância ao primeiro grau de ensino, que nos estados Unidos corresponde ao nosso primeiro ano do primeiro ciclo, onde os alunos têm entre 6 a 7 anos).


“Por um largo período de tempo, nos Estados Unidos, pensou-se que bastava constituir turmas pequenas num único ano lectivo, sendo que poderia ser ou no Jardim de Infância ou no primeiro grau de ensino, (o nosso primeiro ano no ensino básico), e que esse ano bastava para tirar todos os benéficos. “ Konstantopoulos disse que não acreditava nisso, “Penso que só se conseguem obter resultados mais tarde se os alunos forem integrados em turmas com poucos alunos ao longo de vários anos lectivos e que estes deveriam ser consecutivos, em particular com crianças que apresentam mais dificuldades de aprendizagem”.


Para a sua pesquisa utilizou informações recolhidas no decorrer de um estudo intensivo, realizado no Tenessee, denominado Project Star, que analisou os efeitos do tamanho das turmas em mais de 11 mil alunos na elementary school, (que nos EU corresponde a crianças entre os 4 e os 11 anos de idade, que vai da pré-primária até ao 5ª ano de escolaridade) e middle school, (que na generalidade dos estados dos EU compreende aos 6ª, 7ª e 8 ª anos de escolaridade, onde os alunos têm entre 11 a 14 anos). Konstantopoulos descobriu que os alunos que tinham sido integrados em turmas pequenas desde o jardim-de-infância até ao 3 ano de escolaridade atingiram resultados escolares substancialmente mais elevados no 4º ano que os restantes alunos.


Pôde igualmente constatar que os alunos com diferentes capacidades de aprendizagem foram favorecidos pelo facto de terem pertencido a turmas pequenas mas os que mais beneficiaram com o facto foram os alunos com mais dificuldades: Registou-se uma menor disparidade de desempenhos escolares entre estes e os alunos que atingiram os melhores resultados, em áreas como as ciências, a leitura e a matemática.

Apesar do estudo não ter avaliado as práticas pedagógicas em contexto sala de aula, Konstantopoulos refere que as razões do esbatimento da diferença de resultados escolares referida em cima se deveu, provavelmente, ao facto de os alunos com mais dificuldades terem recebido mais atenção por parte dos professores.


“Isto é especialmente importante em escolas situadas em meios desfavorecidos porque é lá que faz realmente diferença a eficiência da acção do professor, em escolas com uma população estudantil proveniente de famílias empobrecidas, onde, por norma, os alunos registam performances mais baixas. “