Nome em latim, Tyto Alba, também chamada Coruja das Torres. É uma ave de rapina, de hábitos nocturnos de grande envergadura. A sua plumagem é notável pela suavidade, o que lhe permite um voo absolutamente silencioso. O seu bico é pequeno e curvado na ponta. Quando em voo solta um som estridente e lúgubre. Ter uma audição extremamente apurada e uma visão nocturna muito eficiente na ausência de luz. É também conhecida por Coruja das Torres.
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Relatório PISA chumba política de Nuno Crato
O ministro da Educação tem argumentado com o "facilitismo" da escola pública e a "liberdade de escolha" para promover o privado na Educação, tomando a Suécia como modelo. Mas os resultados do relatório de referência da OCDE arrasam por completo essas teorias.
ARTIGO | 4 DEZEMBRO, 2013 - 12:22
Comparação da pontuação de Portugal e Suécia nos rankings do relatório PISA de 2003 e 2012
O relatório PISA 2012, divulgado esta terça-feira pela OCDE, conclui que a presença de escolas privadas não é sinónimo de melhor desempenho dos alunos ou de mais qualidade educativa. O país que Nuno Crato aponta como farol da sua política do cheque-ensino - a Suécia - foi dos que mais caíram nos rankings da OCDE tanto em Matemática como em Leitura e Ciência, passando para trás de Portugal. Comparando com o relatório de 2009, verifica-se que Portugal ultrapassou a Suécia nas três áreas deste ranking e o "país-modelo" de Nuno Crato foi mesmo o que mais caiu entre os 65 países sujeitos a esta avaliação.
"Após ser considerado o status socio-económico, as escolas privadas não têm uma performance melhor do que as escolas públicas e as escolas que competem com outras por estudantes não registam melhores resultados que as outras que não competem", conclui a OCDE no seu relatório.
O ensino em Portugal, que Nuno Crato apelida de "facilitista", conseguiu entre 2003 e 2012 "aumentar a sua fatia de alunos com notas muito altas e ao mesmo tempo reduzir a fatia de alunos com notas muito baixas", indica ainda o relatório. No ensino da matemática, um dos alvos preferenciais de Nuno Crato, Portugal foi inclusive dos que mais subiram neste ranking nos últimos anos, atingindo a média dos países avaliados, na companhia da França, Noruega, Reino Unido, Islândia, Dinamarca, entre outros.
O relatório PISA elogia os resultados do modelo aplicado nos últimos dez anos no ensino da matemática, o mesmo que Nuno Crato quer extinguir sem fazer qualquer avaliação. A OCDE diz que "de forma consistente com a melhoria geral do desempenho em matemática", em 2012 os estudantes portugueses também reduziram os seus níveis de ansiedade face à matemática, em comparação a 2003. As reformas no sentido de apoiar e acompanhar mais os estudantes desfavorecidos economicamente, que conseguiram reduzir os chumbos no 9º ano de 21,5% para 12.8% entre 2004 e 2009, são também elogiadas pelo relatório agora divulgado.
domingo, 17 de novembro de 2013
sábado, 5 de outubro de 2013
E se arrumássemos a casa?
Em Portugal a política está nos
sítios errados. Está nas cunhas que servem para ganhar concursos, está nos
aderentes que arranjam emprego, não por mérito próprio, por competência e sim
porque escolheram o partido certo, na altura certa. Está nos projetos muitas
vezes úteis e bem-intencionados que não obtém subsídios porque se alinharam mal
na cor.
Não está na consciência cívica da
generalidade das pessoas, que prefere passar à margem das questões que vão
determinar em grande parte as suas vidas. E é por isso que quando não têm
emprego, não têm subsídios, apoios quando a vida dá para o torto. Quando vão
tendo um sistema de saúde que cada vez funciona pior, um ensino que se vai
degradando, não se revêm nas suas opções, no seu desinteresse em participar de
forma ativa na democracia do país.
E enquanto isso acontece, alguns
vão se servindo. E irão continuar a servir-se enquanto não arrumarmos a casa e
colocarmos a política no sítio certo.
sábado, 22 de junho de 2013
Professora de Beja em Greve de Fome
Primavera do Ensino?
Todos os abusos perpetrados pelos sucessivos ministros de educação, que mais não fizeram que desgovernar e destruir o ensino público, ignorando que os professores não são números. São pessoas que tem família, contas para pagar, são eles que dão a cara e enfrentam as consequências das suas decisões. E são eles que vão ficar quando o Nuno Crato sair de cena, tal como todos os outros que por lá passaram, deixando atrás de si os destroços dos seus desmandos e da sua irresponsabilidade.
Todos os abusos perpetrados pelos sucessivos ministros de educação, que mais não fizeram que desgovernar e destruir o ensino público, ignorando que os professores não são números. São pessoas que tem família, contas para pagar, são eles que dão a cara e enfrentam as consequências das suas decisões. E são eles que vão ficar quando o Nuno Crato sair de cena, tal como todos os outros que por lá passaram, deixando atrás de si os destroços dos seus desmandos e da sua irresponsabilidade.
Talvez este seja o derradeiro momento em que se atingiu um limite. As consequências começam a traduzir-se em atos desesperados como o desta professora. Susana Valente, tens todo o meu apoio e solidariedade. Mereces bem estas linhas e mereces que a tua atitude seja bem divulgada.
domingo, 11 de novembro de 2012
domingo, 17 de abril de 2011
Olha para mim
Tímida chama, ténue mas efectiva.
Se amor é, paixão não se se existe,
Está tudo aberto, em expectativa.
Tal como o bolbo da flor
Que recolhido no Inverno,
Cresce para dar verde e cor
Porque é glória, é ser eterno.
Um novo dia surge,
Despontado da primavera.
Uma esperança urge,
Após uma longa espera.
Vou viver o que não vivi,
Chuvas e ventos o impediram.
Esperanças e sonhos que escondi
E que agora, livres, fugiram.
Foram para o canto do rouxinol,
Para as coisas da luz e da brisa.
Pairam rodopiam e o sol,
Assim, docemente, as realiza.
Olha para mim, aproxima-te.
Vê que a sombra desapareceu
Pois amor é, vive-o, fascina-te,
O bolbo, ao gelo sobreviveu.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
O Meu Dever é falar, para não ser tomado por cúmplice

“Que patifes, as pessoas honestas” é uma citação atribuída ao escritor francês Émile Zola, que me revisita sempre que vejo os políticos justificarem com o manto diáfano da legalidade comportamentos que a ética e a moral rejeitam. E é ainda Zola que volta quando a incoerência desperta o meu desejo de falar, para não ser tomado por cúmplice.
Foi duplamente incoerente o apelo ao respeito e à valorização dos professores que Cavaco Silva fez há dias em Paredes de Coura. Incoerente quando confrontado com o passado recente e incoerente face ao que tem acontecido no decurso da própria campanha eleitoral. Em 2008 e 2009, os professores foram continuamente vexados sem que o Presidente da República usasse a decantada magistratura de influência para temperar o destempero. E foi directa e repetidas vezes solicitado a fazê-lo. Por omissão e acção suportou e promoveu políticas que desvalorizaram e desrespeitaram como nunca os professores e promulgou sem titubear legislação injusta e perniciosa para a educação dos jovens portugueses. Alguma ridícula e imprópria de um país civilizado, como aqui denunciei em artigo de 11.9.06. Já em plena campanha, Cavaco Silva disse num dia que jamais o viram ou veriam intrometer-se no que só ao Governo competia para, dias volvidos, aí intervir, com uma contundência surpreendente, a propósito dos cortes impostos ao ensino privado. Mas voltou a esconder-se atrás do silêncio conivente, agora que é a escola pública o alvo de acometidas sem critério e os professores voltam a ser tratados, aos milhares, como simples trastes descartáveis.
Imaginemos que o modelo surreal para avaliar professores se estendia a outras profissões da esfera pública. Que diria Cavaco Silva? Teríamos, por exemplo, juízes relatores a assistirem a três julgamentos por ano de juízes não relatores, com verificação de todos os passos processuais conducentes à sentença e análise detalhada do acórdão que a suportou. Teríamos médicos relatores a assistirem a três consultas por ano dos médicos de família não relatores; a verificarem todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes. Imaginemos que os juízes teriam que estabelecer, ano após ano, objectivos, tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar. O mesmo para os médicos: doentes a ver, a declarar não doentes, a tratar directamente ou a enviar para outras especialidades, devidamente seriadas e previstas antes do decurso das observações clínicas. Imaginemos que o retorno ao crime por parte dos criminosos já julgados penalizaria os juízes; que a morte dos pacientes penalizaria os médicos, mesmo que a doença não tivesse cura. Imaginemos, ainda, que o modelo se mantinha o mesmo para os juízes dos tribunais cíveis, criminais, fiscais ou de família e indistinto para os otorrinolaringologistas, neurologistas ou ortopedistas. Imaginemos, agora, que um psiquiatra podia ser o relator e observador para fins classificativos do estomatologista ou do cirurgião cardíaco. Imaginemos, por fim, que os prémios prometidos para os melhores assim encontrados estavam suspensos por falta de meios e as progressões nas respectivas carreiras congeladas. Imaginemos que toda esta loucura kafkiana deixava milhares de doentes por curar (missão dos médicos) e muitos cidadãos por julgar (missão dos juízes). A sociedade revoltava-se e os profissionais não cumpririam. Mas este modelo, aplicado aos professores, está a deixá-los sem tempo para ensinar os alunos (missão dos professores), com a complacência de parte da sociedade e o aplauso de outra parte. E os professores cumprem. E Cavaco Silva sempre calou.
Ultrapassámos os limites do tolerável e do suportável. Ontem, o estudo acompanhado e a área-projecto eram indispensáveis e causa de sucesso. Hoje acabaram. Ontem, exigiram-se às escolas planos de acção. Hoje ordenam que os atirem ao lixo. Ontem Sócrates elogiou os directores. Hoje reduz-lhe o salário e esfrangalha-lhes as equipas e os propósitos com que se candidataram e foram eleitos. Ontem puseram dois professores nas aulas de EVT em nome da segurança e da pedagogia activa. Hoje dizem que tais conceitos são impróprios. Ontem sacralizava-se a escola a tempo inteiro. Hoje assinam o óbito do desporto escolar e exterminam as actividades extracurriculares. Ontem criaram a Parque Escolar para banquetear clientelas e desorçamentar 3 mil milhões de dívidas. Hoje deixaram as escolas sem dinheiro para manter o luxo pacóvio das construções ou sequer pagar as rendas aos novos senhores feudais. Ontem pagaram a formação de milhares de professores. Hoje despedem-nos sem critério, igualmente aos milhares.
Os portugueses politicamente mais esclarecidos poderão divergir na especialidade, mas certamente acordarão na generalidade: os 36 anos da escola democrática são marcados pela permanente instabilidade e pelo infeliz desconcerto político sobre o que é verdadeiramente importante num sistema de ensino. Durante estes 36 anos vivemos em constante cortejo de reformas e mudanças, ao sabor dos improvisos de dezenas de ministros, quando deveríamos ter sido capazes de estabelecer um pacto mínimo nacional de entendimento acerca do que é estruturante e incontornável para formar cidadãos livres. Sobre tudo isto, o silêncio de Cavaco Silva é preocupante e obviamente cúmplice.
Foi duplamente incoerente o apelo ao respeito e à valorização dos professores que Cavaco Silva fez há dias em Paredes de Coura. Incoerente quando confrontado com o passado recente e incoerente face ao que tem acontecido no decurso da própria campanha eleitoral. Em 2008 e 2009, os professores foram continuamente vexados sem que o Presidente da República usasse a decantada magistratura de influência para temperar o destempero. E foi directa e repetidas vezes solicitado a fazê-lo. Por omissão e acção suportou e promoveu políticas que desvalorizaram e desrespeitaram como nunca os professores e promulgou sem titubear legislação injusta e perniciosa para a educação dos jovens portugueses. Alguma ridícula e imprópria de um país civilizado, como aqui denunciei em artigo de 11.9.06. Já em plena campanha, Cavaco Silva disse num dia que jamais o viram ou veriam intrometer-se no que só ao Governo competia para, dias volvidos, aí intervir, com uma contundência surpreendente, a propósito dos cortes impostos ao ensino privado. Mas voltou a esconder-se atrás do silêncio conivente, agora que é a escola pública o alvo de acometidas sem critério e os professores voltam a ser tratados, aos milhares, como simples trastes descartáveis.
Imaginemos que o modelo surreal para avaliar professores se estendia a outras profissões da esfera pública. Que diria Cavaco Silva? Teríamos, por exemplo, juízes relatores a assistirem a três julgamentos por ano de juízes não relatores, com verificação de todos os passos processuais conducentes à sentença e análise detalhada do acórdão que a suportou. Teríamos médicos relatores a assistirem a três consultas por ano dos médicos de família não relatores; a verificarem todos os diagnósticos, todas as estratégias terapêuticas e todas as prescrições feitas a todos os doentes. Imaginemos que os juízes teriam que estabelecer, ano após ano, objectivos, tipo: número de arguidos a julgar, percentagem a condenar e contingente a inocentar. O mesmo para os médicos: doentes a ver, a declarar não doentes, a tratar directamente ou a enviar para outras especialidades, devidamente seriadas e previstas antes do decurso das observações clínicas. Imaginemos que o retorno ao crime por parte dos criminosos já julgados penalizaria os juízes; que a morte dos pacientes penalizaria os médicos, mesmo que a doença não tivesse cura. Imaginemos, ainda, que o modelo se mantinha o mesmo para os juízes dos tribunais cíveis, criminais, fiscais ou de família e indistinto para os otorrinolaringologistas, neurologistas ou ortopedistas. Imaginemos, agora, que um psiquiatra podia ser o relator e observador para fins classificativos do estomatologista ou do cirurgião cardíaco. Imaginemos, por fim, que os prémios prometidos para os melhores assim encontrados estavam suspensos por falta de meios e as progressões nas respectivas carreiras congeladas. Imaginemos que toda esta loucura kafkiana deixava milhares de doentes por curar (missão dos médicos) e muitos cidadãos por julgar (missão dos juízes). A sociedade revoltava-se e os profissionais não cumpririam. Mas este modelo, aplicado aos professores, está a deixá-los sem tempo para ensinar os alunos (missão dos professores), com a complacência de parte da sociedade e o aplauso de outra parte. E os professores cumprem. E Cavaco Silva sempre calou.
Ultrapassámos os limites do tolerável e do suportável. Ontem, o estudo acompanhado e a área-projecto eram indispensáveis e causa de sucesso. Hoje acabaram. Ontem, exigiram-se às escolas planos de acção. Hoje ordenam que os atirem ao lixo. Ontem Sócrates elogiou os directores. Hoje reduz-lhe o salário e esfrangalha-lhes as equipas e os propósitos com que se candidataram e foram eleitos. Ontem puseram dois professores nas aulas de EVT em nome da segurança e da pedagogia activa. Hoje dizem que tais conceitos são impróprios. Ontem sacralizava-se a escola a tempo inteiro. Hoje assinam o óbito do desporto escolar e exterminam as actividades extracurriculares. Ontem criaram a Parque Escolar para banquetear clientelas e desorçamentar 3 mil milhões de dívidas. Hoje deixaram as escolas sem dinheiro para manter o luxo pacóvio das construções ou sequer pagar as rendas aos novos senhores feudais. Ontem pagaram a formação de milhares de professores. Hoje despedem-nos sem critério, igualmente aos milhares.
Os portugueses politicamente mais esclarecidos poderão divergir na especialidade, mas certamente acordarão na generalidade: os 36 anos da escola democrática são marcados pela permanente instabilidade e pelo infeliz desconcerto político sobre o que é verdadeiramente importante num sistema de ensino. Durante estes 36 anos vivemos em constante cortejo de reformas e mudanças, ao sabor dos improvisos de dezenas de ministros, quando deveríamos ter sido capazes de estabelecer um pacto mínimo nacional de entendimento acerca do que é estruturante e incontornável para formar cidadãos livres. Sobre tudo isto, o silêncio de Cavaco Silva é preocupante e obviamente cúmplice.
Santana Castilho
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