segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sem vergonha na Cara


Depois dos alunos se manifestarem contra o artigo 22º do Estatuto do Aluno, com insultos e ovos, a Senhora Ministra (fingindo não dar o braço a torcer), mesmo depois de ter andado a defender o indefensável, alterou à pressa e por despacho uma Lei (má) aprovada pela Assembleia da República, desrespeitando a Constituição Portuguesa (que para ela não tem valor).

Caso a Senhora Ministra ainda não saiba, as Leis aprovadas pela Assembleia da República, que tem o poder legislativo, só podem ser alteradas por esse órgão. Se os deputados se calarem com esta usurpação do poder, mais vale demitirem-se, pois os ministros podem substituí-los no poder legislativo, quando só deviam ter o poder executivo. Mas, neste "vale tudo" socrático, a Senhora Ministra foi ainda mais longe, culpando as Escolas da sua própria má redacção das leis que os deputados do Partido Socialista aprovam sem ler, com medo de perderem o lugar.

Fique a saber que os professores sabem interpretar muito bem, Senhora Ministra, e já perceberam que Vossa Excelência gosta mais dos ovos do que dos professores. É muito feio culpar os outros dos nossos próprios erros…

Todos os dias altera a legislação e nós temos de andar sempre a alterar os Regulamentos Internos das nossas escolas.

domingo, 16 de novembro de 2008

Elogio da Dialéctica


A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo

Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos

Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Pesadelo Burocrático e a Desobediência à Lei


“O facto de os cidadãos estarem em geral dispostos a recorrer à desobediência civil justificada é um elemento de estabilidade numa sociedade bem ordenada, ou seja, quase justa”

John Rawls, Uma Teoria da Justiça

Assembleia de Professores de Setúbal e Palmela

Esta noite 500 professores de várias escolas de Setúbal e Palmela, reunidos em Assembleia no Ginásio da Escola Sebastião da Gama, aprovaram por unanimidade a seguinte moção:
«Moção»
Os professores das escolas da região de Setúbal e Palmela, reunidos em assembleia-geral na Escola Secundária Sebastião da Gama, no dia 12 de Novembro de 2008, depois de analisarem a situação actual nas suas escolas, relativamente ao modelo de avaliação vigente, aprovaram a seguinte resolução:1. desenvolver, de imediato, esforços no sentido de criar grupos por escola/agrupamentos, amplos e diversificados, para promover formas de parar colectivamente (mais de metade dos professores) o processo de avaliação, nomeadamente através da recusa de entrega dos "objectivos individuais" e de aulas assistidas.2. sensibilizar os professores das escolas para a necessidade de suspensão deste modelo de avaliação através de abaixo-assinados, RGPs, sessões de esclarecimento e troca de opiniões.3. informar de imediato, após a tomada de decisão, as outras escolas, a comunicação social, os blogs, os sindicatos, o ME...12 de Novembro de 2008»
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008

As três Peneiras


O António foi transferido para um novo departamento. Logo no primeiro dia, para dar graxa ao chefe, saiu-se com esta:
- Chefe, o senhor nem imagina o que me contaram a respeito do Silva. Disseram que ele...
Nem chegou a terminar a frase, o chefe parou-o imediatamente:
- Espere um pouco, António. O que me vai contar já passou pelo crivo das três peneiras?
- Peneiras? Que peneiras, chefe?
- A primeira, António, é a da VERDADE. Você tem certeza de que esse facto é absolutamente verdadeiro?
- Não. Não tenho não. Como posso saber? Só sei o que me contaram.
- Então a sua história já passou através da primeira peneira. Vamos então para a segunda peneira que é a da BONDADE. O que você me vai contar, gostaria que os outros também dissessem a seu respeito?
- Claro que não! Nem pensar, Chefe.
- Então, sua história passou através da segunda peneira. Vamos ver a terceira peneira que é a UTILIDADE. Você acha mesmo necessário contar-me a mim esse facto ou mesmo passá-lo adiante?
- Não chefe. Realmente, a minha história, ao passar por essas três peneiras foi toda embora. Não ficou nada do que eu queria contar - fala o António, surpreendido.

- Pois é António, Já pensou como as pessoas seriam mais felizes se usassem essas peneiras? Diz o chefe a sorrir e depois contínua:
- Da próxima vez que surgir um boato por ai, submeta-o ao crivo dessas três peneiras: VERDADE, BONDADE e UTILIDADE, antes de obedecer ao impulso de o passar adiante, porque:

PESSOAS INTELIGENTES FALAM SOBRE IDÉIAS;
PESSOAS COMUNS FALAM SOBRE COISAS;

PESSOAS MEDIOCRES FALAM SOBRE PESSOAS

O Ministério da Educação ou não percebe ou não quer perceber...


Retirado da página do ME http://www.min-edu.pt/np3/2805.html

O processo de avaliação docente está a avançar em todas as escolas, de acordo com a informação da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação.
Desmentem-se assim as alusões, contraditórias entre si, em jornais diários de hoje, a suspensão, adiamento, atraso ou interrupção do processo de avaliação.
Com efeito, vários jornais mencionaram hoje o tema da avaliação de professores, reproduzindo argumentos de uma estrutura sindical.
Em um dos títulos garantia-se que o processo estava suspenso em "10 por cento" dos estabelecimentos de ensino, num segundo avançava-se que estava parado em "50 por cento" das escolas, enquanto um terceiro asseverava que "metade das escolas suspenderam ou vão suspender" a avaliação, apesar de ter escrito na capa que "Metade das escolas não faz avaliação".
Perante estas discrepâncias informativas, repete-se que o processo de avaliação docente está a avançar em todas as escolas.
Qualquer outra visão só pode derivar da vontade de criar ruído e perturbar o direito dos docentes a serem avaliados.


DIA 8 VAMOS MOSTRAR QUE ISTO É MENTIRA. TODOS OS PRESENTES PODERÃO TESTEMUNHAR EM PÚBLICO QUE O QUE O ME DIZ É MENTIRA.
A Palavra de alguém que nem assina o que escreve contra 50 mil?, 60 mil? quantos seremos? Seria bom que mais de 100 mil!E QUE RIDÍCULO FALAR EM DIREITO DE SER AVALIADO? QUANDO ESTE MODELO DE AVALIAÇÂO VIOLA TANTOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: O DIREITO À DIGNIDADE, À JUSTIÇA, AO RECONHECIMENTO DA VERDADEIRA COMPETÊNCIA, À PAZ...

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Resposta

E o senhor ou senhora que deixou este comentário já pensou que os portugueses estão pouco esclarecidos em relação ao que se passa?
Tem filhos?
Gosta da ideia dos professores dos seus filhos deixarem de ter tempo para preparar aulas e dar-lhes atenção filhos porque passa o tempo a preencher grelhas e outros papeis inúteis, que em nada vão contribuir para a melhoria do ensino?
Não está em causa a avaliação de professores. Quando quiserem avaliem-me. Mas avaliem-me como deve ser.
Mas não se iluda, o governo fez estas leis para poupar mais uns cobres. Não ter de pagar mais ordenado aos professores, uma vez que muitos não vão poder ascender ao topo da carreira.
Não se iluda, se isto for para a frente, daqui a uns anos vai ter de pagar um colégio particular aos seus filhos ou netos se quiser que tenham um ensino de qualidade.
Já reparou que os colégios particulares estão a proliferar?
Já pensou quem vai ficar a ganhar com o negócio dos Magalhães?
Sabia que os professores lutam permanentemente com falta de condições? Sabia que não conseguem apoiar individualmente os alunos com mais dificuldades porque têm 28 alunos dentro da sala? Faça as contas. 80 minutos úteis de aula (estou a ser optimista) a dividis por 28... dá menos de 3 minutos por aluno.
Sabia que graças ao seu PS alunos que tinham necessidades educativas especiais, e que até ao ano passado beneficiavam de turma reduzida agora estão integrados em turmas que podem ter 28 alunos?
Sabia que na escola pública que lidera o ranking dos resultados de exames nacionais os professores estão a pedir a reforma antecipada e vão perder parte do seu vencimento? Já se perguntou porquê? Nessa escola, quando um professor entregou um teste negativo a uma aluna
esta respondeu... "tem a certeza que me quer dar esta nota, è que vai ser avaliada pelo meu resultado." Quer que os seus filhos, se os tiver, passem de ano, mesmo que não saibam nada ou quer que aprendam e evoluam?
Acreditou na melhoria dos resultados escolares nos exames nacionais? Era lindo se fizéssemos agora um exame internacional, daqueles que a OCDE faz de vez em quando, e que permite comparar o que se passa em Portugal com o resto do mundo. Ia perceber que a melhoria dos resultados nacionais deveu-se exclusivamente ao facto de os terem feito mais fáceis.
O PS quer o facilitismo. Nós, professores, queremos uma escola pública de qualidade. É por isso que lutamos, sabia disso?
Era mais fácil preencher, os as tais grelhas, que de resto, daqui a uns anos estão formatadas tipo Copy Paste, e alguns de nós até progrediam e recebia mais vencimento. Claro que começávamos a dar positiva aos alunos, daqui a uns anos o PS dizia que tínhamos atingido 100% de alunos sem retenção e com o nono ano. Não sabiam ler nem sequer somar dois números inteiros...
Mas ÑÓS não queremos isso. Não queremos uma população ignorante...
E o governo? Já pensou nisso?

Sabia que se eu quero passar um filme ou uma apresentação em Power Point... não tenho condições?
Sabia que uma parte dos alunos da turma não consegue ver o quadro? E não há solução para isso?
Sabia que no verão há salas horrivelmente quentes e no inverno salas horrivelmente frias e não há solução para isso?
Sabia que algumas lâmpadas, na minha escola estão fundidas há anos... e não há solução para isso?
Sabia que já há muito tempo que o apoio económico escolar não tem dinheiro para subsidiar as visitas de estudo dos alunos com dificuldades económicas?
E podia ficar aqui o resto da noite...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Concentração de Professores em Setúbal - 1 de Novembro - Largo da Misericórdia

Aproxima-se a passos largos o mês de Novembro. Vamos manifestar-nos de novo na capital e dizer bem alto que a escola pública está refém de uma política irresponsável e que os seus profissionais não abdicam do seu compromisso por uma escola de sucesso com qualidade.Recusamos satisfazer o monstro burocrático desta avaliação de desempenho com que nos querem paralisar, dividir e destruir o trabalho em equipa. Queremos trabalhar melhor e não consumir as nossas melhores capacidades, dias, noites e fins-de-semana sem fim, a preencher dezenas, centenas de páginas e documentos absurdos. Denunciamos esta espécie de cortina de ferro com que a Senhora Ministra quer sitiar a escola pública, para que não se conheçam as carências, os atrasos e o desinvestimento que é a verdadeira face da política deste governo.A avaliação que queremos tem de ir ao encontro dos direitos e necessidades dos alunos bem como da sociedade moderna. Tem de promover uma escola que aposta na formação plena e equilibrada dos cidadãos, numa perspectiva construtiva.Somos professores e professoras e rejeitamos a divisão em duas categorias. Por que razão certos alunos teriam professores de “primeira” categoria e outros de “segunda”?Para preparar o mês de Novembro, os professores irão concentrar-se, no dia 1 de Novembro, no Largo da Misericórdia, em Setúbal, entre as 18 e as 20 horas. Haverá intervenções das escolas em luta, de convidados, e apontamentos culturais (música e documentário).Contamos contigo! Reencaminha. Traz outro amigo também!Setúbal, 27 de Outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vestido Azul

Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma menina muito bonita. Frequentava a escola local. A mãe não era muito cuidadosa com ela e por issoandava quase sempre suja. As suas roupas eram muito velhas e maltratadas.
A Professora tinha pena da situação da menina e um dia pensou:
- "Como é que uma menina tão bonita pode vir tão desleixada para a escola?".
Resolveu então comprar-lhe um vestido novo. Ela ficou linda no vestidinho azul!


Quando a mãe viu a filha naquele vestido azul, tão linda, pensou que erauma pena que a sua filha, com aquela roupa nova, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a dar-lhe banho todos os dias, penteava-lhe os seus cabelos, cortava-lhe as suas unhas...
Passados uns dias o pai falou:
- "Mulher, não achas uma vergonha que a nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more num lugar como este, a cair aos pedaços? Que tal se tu arrumasses melhor a casa? Nas horas vagas, eu vou pintar as paredes que bem precisam de uma pintura nova, depois arranjo a cerca, arranco as ervas daninhas e planto umas flores bonitas no nosso jardim."

A pequena casa, logo se começou a destacar pela beleza das flores que enchiam o jardim e pelo cuidado posto em todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morarem em casas feias e sujas e resolveram também arranjar as suas casas, plantaram flores, usaram tinta e criatividade. Não demorou muito para que todo o bairro estivesse transformado...nem parecia o mesmo!

Um empresário ali da zona, que tinha acompanhado os esforços e as lutas daquela gente, para construir um bairro melhor, pensou que bem mereciam uma ajuda. Foi falar com o Presidente da Câmara que era seu amigo e a quem contou o que se estava a passar. Este ordenou imediatamente a uma comissão que fosse observar o bairro e estudasse qual a melhor forma de o melhorar.
A rua só tinha barro e lama. Asfaltou-se a estrada e foram construídos passeios. Plantaram-se árvores. Os esgotos, a céu aberto, foram canalizados e o bairro deixou de cheirar mal.

E tudo começou com um vestido azul...

A intenção daquela professora não era arranjar a rua, nem criar um movimento que melhorasse o bairro. Ela fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou por fazer com que outras pessoas se motivassem e lutassem por melhorias.
Será que cada um de nós está a fazer a sua parte no lugar em que vive? Ou somos aqueles que só sabem apontar os buracos da rua, a violência do trânsito, a poluição, a falta de civismo?

De facto, é difícil mudar o estado actual das coisas. É difícil limpar toda a rua, mas é fácil não jogar lixo para o chão. É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido azul.
Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários, quando endereçadas no momento próprio e com bondade.


sábado, 18 de outubro de 2008