quinta-feira, 24 de dezembro de 2009


De seguida... um poema que considero muito bonito. Não sei porquê mas associo-o ao Natal.
Batem leve, levemente,
como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.

É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho…

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria….
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho…

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
duns pezitos de criança…

E descalcinhos, doridos…
a neve deixa ainda vê-los,
primeiro, bem definidos,
depois, em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los! …

Que quem já é pecador
sofra tormentos, enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!…
Porque padecem assim?!…

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na Natureza
e cai no meu coração.
Augusto Gil

sábado, 14 de novembro de 2009

Urge Clarificar


A ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou hoje, sábado, que os professores que não entregaram os elementos de avaliação não serão avaliados, acrescentando que "não se trata de uma questão de penalização".
Durante uma visita a uma escola secundária recuperada, nos Olivais, em Lisboa, a comunicação social perguntou à ministra da Educação se aceita a proposta de não penalização dos professores que não aderiram ao modelo de avaliação em vigor."Os professores que entregaram elementos para a avaliação serão todos avaliados. É essa a nossa perspectiva e é essa a indicação que clarificaremos com as escolas, com os sindicatos, com as organizações representativas", afirmou Isabel Alçada aos jornalistas.
Interrogada se os professores que não entregaram esses elementos serão penalizados, a ministra da Educação respondeu: "Não é uma questão de penalização. Quem não entregou os elementos para a avaliação naturalmente sabe que não pode ser avaliado. Não é uma questão de penalização, é uma questão de regra"."A lei é assim e, portanto, quem não se submeteu a um processo de avaliação, naturalmente, não será avaliado. É isto", acrescentou Isabel Alçada.
Por outro lado, questionada sobre a exequibilidade de se aprovar um novo modelo de avaliação e acabar com a divisão da carreira entre professores titulares e não titulares no prazo de 30 dias, como propõe o PSD, a ministra sublinhou que está em curso um processo negocial que não depende só de si.
"Este é um processo que exige vários parceiros, portanto, nós podemos comprometer-nos a trabalhar com celeridade no Ministério da Educação, depois a negociação com os parceiros será da forma natural como estas coisas sempre decorrem", afirmou.
In JN

Urge clarificar o que se entende por elementos de avaliação. É sobejamente sabido que muitos Professores não entregaram objectivos individuais. Se bem entendi alguma coisa do que foi a trapalhada legislativa do (des)Governo anterior, nas situações em que não foram definidos objectivos individuais, por parte dos Docentes estes deveriam ser fixados pelo respectivo Órgão de Gestão da sua escola.
Estou em crer que todos os Professores fizeram a sua auto-avaliação. Era obrigatória e tal estava claríssimo na Lei.
Chegou-me a informação que alguns Directores não querem avaliar os Professores que não entregaram OIs. Em que ficamos? Não podemos continuar a admitir que não haja uma uniformização de critérios a adoptar em todas as escolas. Que a dita autonomia das escolas sirva apenas para semear a confusão, a desigualdade e a injustiça. Coisas há que deviam ser assumidas claramente pelo Ministério da Educação para que situações como estas não ocorram. Porque não devem ocorrer num Estado de Direito. Porque não podem ocorrer numa verdadeira Democracia.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

domingo, 21 de junho de 2009

Agora explique isto...

Kandinsky

Este ano houve mais negativas nas Provas de Aferição que no ano passado. Só a Língua Portuguesa do 4º ano é que houve um número inferior de níveis negativos.


Recordo agora os comentários da Sra Ministra da Educação, face aos resultados das provas de aferição do ano passado, onde se tinha registado melhorias significativas em relação ano anterior, 2007. Segundo esta, tinham havido melhorias nos resultados devido às medidas do seu Ministério.


Pois então, Sra. Ministra, justifique estes agora…

Para reflectir:

Mais de metade das escolas (56 por cento) acompanhadas pelo CCAP reportaram clima de perturbação e tensão provocado pelo processo de avaliação de desempenho docente, enquanto outras acrescentaram "um clima geral de medo", provocado pela tutela ou colegas.

Esta é uma das "implicações" do processo de avaliação no clima dos estabelecimentos de ensino, constante no relatório de acompanhamento e monitorização do Conselho Científico para a Avaliação dos Professores (CCAP), realizado através de visitas e estudos a 30 escolas.

Também metade das escolas aponta os conflitos internos, nomeadamente a "deterioração da relação entre colegas" ou a divisão entre avaliadores e avaliados, o que provocou situações de "animosidade". Em vários relatórios é apontada a indignação dos professores face às decisões da tutela e em metade é referido o "desgaste" provocado pelo processo.

Fonte: Lusa

Link para o quadro síntese comparativo dos resultados nacionais das Provas de Aferição dos anos 2008 e 2009.

domingo, 31 de maio de 2009

A Luta é dura, mais dura é a razão que a sustem

Fomos de novo para a rua, sim senhor. A luta continua bem acesa em nós porque a mantê-la está a defesa da Escola Pública e dos seus valores.

Não concordamos com as políticas educativas do PS e dissemo-lo alto e bom som, em vésperas de eleições.

“Ministra, adeus e leva contigo os Directores”

“Esta avaliação, p´ra quê?”

“1,2,3, já cá estamos outra vez, 4,5,6, não queremos estas leis, 7,8,9, esta luta é que nos move”

“Se isto não mudar, nós havemos de voltar ”

Foram algumas das palavras de ordem que nos acompanharam desde o Marquês de Pombal até aos Restauradores.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Escola e Exclusão - o mais importante da sessão


A sala do IPJ acolheu gente que veio construir conhecimento, ao sábado, fora da escola, sobre a Escola, sobre a Democracia e sobre a Gente que queremos ser, e sobre a Gente em que os que agora são alunos se poderão transformar. Pusemo-nos a pensar, com a ajuda dos oradores convidados e da experiência de cada um.
Predominavam os profissionais da escola, de todos os níveis de ensino (docentes, mediadores, psicólogos), mas também pais/mães, investigadores. Como de costume, em cada qual até se acumulavam mais que uma destas condições...
Diogo Fazenda debateu conceitos (exclusão vs inclusão, prevenção vs acção e limites da intervenção; teoria vs práticas), alargando o conceito de exclusão a um sentido mais amplo, que não se restringe ao trabalho com alunos com necessidades educativas especiais, ou outros normalmente identificados como carentes de estratégias de inclusão. Sublinhou que é desejável trabalhar no contexto turma, com projectos diferenciados turma a turma, cultura de escola assumida e partilhada por todos, com condições para tal, e em que se considere que o essencial na escola são as potencialidades, as necessidades e as vozes dos alunos. Precisamos de nos irmos colocando em causa para aprendermos como profissionais e melhorar a intervenção.
Maria José Simas referiu a escola que se assume como condomínio fechado, e sobre a qual muitas vezes só temos acesso a discurso realizados a partir do exterior. Destacou a presença da exclusão na mentalidade dominante, que a todos nos rodeia e inclui, atravessando gerações. Propôs a escola que se assuma enquanto comunidade, centrada nas aprendizagens e a todos acolhendo e integrando.
Isabel Guerra identificou alguns paradoxos, a partir de conclusões de estudo sobre a incivilidade e a violência como os de Sebastien Roché, reforçando o papel crucial da construção identitária nos modos de aprender, que dependem do envolvimento de cada um. Sublinhou os efeitos da massificação do ensino em toda a escola, não sobre a ciência (que não é afectada) mas sobre os modos de aprender.
Cecília Honório apontou interrogações, identificando desafios: recentrar os discursos da escola e sobre a escola nos alunos, combater o consenso/aceitação da escola dualizada, afirmar o valor de diferentes tipos de saber na escola e na construção do conhecimento, concretizar políticas de língua que modifiquem as práticas nesta matéria, que são exclusivas. Sendo facto que a crise da escola é a crise da sociedade, haverá que abordar a territorialização das diferenças e a gestão das realidades pela escola, e nela, de forma a promover a igualdade no acesso DE TODA A GENTE não apenas à escola mas também ao conhecimento, às aprendizagens. Dividir as Escolas em duas categorias, as escolas de tomar conta e escolas de aprender não é resposta, e sobretudo não permite construir democracia que a si mesma se sustente no futuro. A Escola não faz milagres, mas uma das suas missões deve ser criar uma cultura e concretizar práticas de sucesso CONTRA a exclusão - para o que há que usar conhecimento e afectos, rigor e empenhamento.
O debate alargou-se e fluiu, a mostrar ao vivo a cultura da participação. Em tarde luminosa, sentimos que a claridade foi passando das palavras às ideias, dos olhares aos gestos. Saímos a pensar. Ainda estamos a pensar. Até à próxima!
Em rodapé, a bibliografia
Estudo sobre factores influentes nos comportamentos de incivilidade dos jovens: falta de supervisão parental, influência do bando, exclusão escolar precoce. Mais sobre o autor: (2009)

terça-feira, 19 de maio de 2009

Listas provisórias de ordenação e exclusão

Consultar
www.dgrhe.min-edu.pt
ou
www.sipe.pt

Reclamação integrada - 5 dias úteis após a saída das listas.
Consultar Aviso nº 9730/2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009


Vem, vamos embora que esperar não é saber …

quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

domingo, 10 de maio de 2009

Para Pais & Educadores: Magalhães - Urgente Saber


Vários estudos demonstraram que a utilização de Computadores nas fases mais tenras da infância não só não trazem benefícios como comprometem em larga medida o desenvolvimento equilibrado e harmonioso das crianças. Não acrescentam nenhum benefício ao rendimento escolar dos alunos. Já existem vários estudos, com pelo menos 10 anos, que revelam isso. Seguem-se alguns excertos de um apanhado desses mesmos estudos.


“O que é que um colossal projecto industrial de montagem e exportação de minicomputadores tem a ver com a nossa atribulada educação infantil? Porque sobrecarregar professores com tarefas administrativas estranhas à profissão? Como é que servidores do Estado, colocados nas mais diversas posições, puderam transformar-se em verdadeiros agentes de vendas? Que autoridade humanística e pedagógica tem um consórcio industrial internacional para vir instruir os nossos pais e professores quanto ao tipo de ensino robotizado que se pretende implantar entre a nossa infância? Que negociatas gigantescas estarão em curso – sob a respeitosa máscara da "educação" – para realizar lucros de milhões com conexões de internet, manutenção e reparação de milhares de computadores, mais as vendas de softwares, impressoras, acessórios, etc.? Será justo acorrentar a próxima geração portuguesa ao potentado exclusivista do sistema operacional Microsoft? E será de admitir como legítima a invasão da esfera familiar e infantil pela publicidade magalhânica, que já começou a promover coisas como «Ganha um iPhone 3G» ou «Ganha um Nintendo DS Lite»?”

“…é constatar que se trata realmente de uma iniciativa perfeitamente caduca, esvaziada de fundamentos pedagógicos, e que há quase 10 anos já demonstrou resultados catastróficos na Europa e na América. O efeito dos minicomputadores para a deformação das personalidades infantis, bem como para o empobrecimento do contacto humano entre professores e alunos, é algo que já foi estudado em profundidade em inúmeras comunidades escolares e universidades em todo o mundo, revelando resultados assombrosos. “
“…não havia qualquer resultado que mostrasse um impacto positivo dos computadores sobre o rendimento escolar dos alunos.”
“…a exposição prematura de crianças a programas audiovisuais, computadores, vídeos, etc. só pode produzir o aparecimento de uma geração de crianças hiper-estimuladas e posteriormente deficitárias em termos de capacidade de concentração.”


E Se Passar Tudo Para as Autarquias?

Um Professor é afastado do seu cargo de Coordenador porque não esteve gente suficiente na inauguração de uma biblioteca escolar. Outro professor é suspenso porque o filho de um Autarca se magoou numa actividade escolar dinamizada por este. Coisa perfeitamente normal, acontece, e não teria tido quaisquer outras consequências se se tratasse do filho de um outro qualquer pai.

São episódios que permitem levantar um pouco o véu do que vai ser o futuro nas escolas quando o ensino estiver totalmente entregue aos Directores Escolares e aos Dirigentes Políticos. Quer Autarcas quer Ministério, com poder para admitir e demitir Directores ao seu bel-prazer e interesses pessoais ou políticos.

A Democracia está a escapar-se-nos por entre os dedos. Com uma agravante de que não é facto assumido explicitamente, como o era antes do 25 de Abril.

Cidadãos, professores e não professores, urge abrir os olhos e lutar contra este sistema que nos afasta cada vez mais de uma sociedade igualitária e justa.

Na rua, em manifestações, nas eleições, pois isso ainda não nos roubaram. Na denúncia de acontecimentos como estes. De outra qualquer forma aceitável.

A cantiga é uma arma, canta José Mário Branco…não resisti a deixar aqui os versos de uma outra, escrita á muito tempo. Infelizmente muito actual.

Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
Notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
Tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
Levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
Ai rios do meu país
Minha pátria à flor das águas
Para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
Pede notícias e diz
Ao trevo de quatro folhas
Que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
Por que vai de olhos no chão.
Silêncio - é tudo o que tem
Quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
Direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
Vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
Ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
Nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
Dos rios que vão pró mar
Como quem ama a viagem
Mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
Vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
Só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
Se notícias vou pedindo
Nas mãos vazias do povo
Vi minha pátria florindo.
Manuel Alegre