sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Resposta

E o senhor ou senhora que deixou este comentário já pensou que os portugueses estão pouco esclarecidos em relação ao que se passa?
Tem filhos?
Gosta da ideia dos professores dos seus filhos deixarem de ter tempo para preparar aulas e dar-lhes atenção filhos porque passa o tempo a preencher grelhas e outros papeis inúteis, que em nada vão contribuir para a melhoria do ensino?
Não está em causa a avaliação de professores. Quando quiserem avaliem-me. Mas avaliem-me como deve ser.
Mas não se iluda, o governo fez estas leis para poupar mais uns cobres. Não ter de pagar mais ordenado aos professores, uma vez que muitos não vão poder ascender ao topo da carreira.
Não se iluda, se isto for para a frente, daqui a uns anos vai ter de pagar um colégio particular aos seus filhos ou netos se quiser que tenham um ensino de qualidade.
Já reparou que os colégios particulares estão a proliferar?
Já pensou quem vai ficar a ganhar com o negócio dos Magalhães?
Sabia que os professores lutam permanentemente com falta de condições? Sabia que não conseguem apoiar individualmente os alunos com mais dificuldades porque têm 28 alunos dentro da sala? Faça as contas. 80 minutos úteis de aula (estou a ser optimista) a dividis por 28... dá menos de 3 minutos por aluno.
Sabia que graças ao seu PS alunos que tinham necessidades educativas especiais, e que até ao ano passado beneficiavam de turma reduzida agora estão integrados em turmas que podem ter 28 alunos?
Sabia que na escola pública que lidera o ranking dos resultados de exames nacionais os professores estão a pedir a reforma antecipada e vão perder parte do seu vencimento? Já se perguntou porquê? Nessa escola, quando um professor entregou um teste negativo a uma aluna
esta respondeu... "tem a certeza que me quer dar esta nota, è que vai ser avaliada pelo meu resultado." Quer que os seus filhos, se os tiver, passem de ano, mesmo que não saibam nada ou quer que aprendam e evoluam?
Acreditou na melhoria dos resultados escolares nos exames nacionais? Era lindo se fizéssemos agora um exame internacional, daqueles que a OCDE faz de vez em quando, e que permite comparar o que se passa em Portugal com o resto do mundo. Ia perceber que a melhoria dos resultados nacionais deveu-se exclusivamente ao facto de os terem feito mais fáceis.
O PS quer o facilitismo. Nós, professores, queremos uma escola pública de qualidade. É por isso que lutamos, sabia disso?
Era mais fácil preencher, os as tais grelhas, que de resto, daqui a uns anos estão formatadas tipo Copy Paste, e alguns de nós até progrediam e recebia mais vencimento. Claro que começávamos a dar positiva aos alunos, daqui a uns anos o PS dizia que tínhamos atingido 100% de alunos sem retenção e com o nono ano. Não sabiam ler nem sequer somar dois números inteiros...
Mas ÑÓS não queremos isso. Não queremos uma população ignorante...
E o governo? Já pensou nisso?

Sabia que se eu quero passar um filme ou uma apresentação em Power Point... não tenho condições?
Sabia que uma parte dos alunos da turma não consegue ver o quadro? E não há solução para isso?
Sabia que no verão há salas horrivelmente quentes e no inverno salas horrivelmente frias e não há solução para isso?
Sabia que algumas lâmpadas, na minha escola estão fundidas há anos... e não há solução para isso?
Sabia que já há muito tempo que o apoio económico escolar não tem dinheiro para subsidiar as visitas de estudo dos alunos com dificuldades económicas?
E podia ficar aqui o resto da noite...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Concentração de Professores em Setúbal - 1 de Novembro - Largo da Misericórdia

Aproxima-se a passos largos o mês de Novembro. Vamos manifestar-nos de novo na capital e dizer bem alto que a escola pública está refém de uma política irresponsável e que os seus profissionais não abdicam do seu compromisso por uma escola de sucesso com qualidade.Recusamos satisfazer o monstro burocrático desta avaliação de desempenho com que nos querem paralisar, dividir e destruir o trabalho em equipa. Queremos trabalhar melhor e não consumir as nossas melhores capacidades, dias, noites e fins-de-semana sem fim, a preencher dezenas, centenas de páginas e documentos absurdos. Denunciamos esta espécie de cortina de ferro com que a Senhora Ministra quer sitiar a escola pública, para que não se conheçam as carências, os atrasos e o desinvestimento que é a verdadeira face da política deste governo.A avaliação que queremos tem de ir ao encontro dos direitos e necessidades dos alunos bem como da sociedade moderna. Tem de promover uma escola que aposta na formação plena e equilibrada dos cidadãos, numa perspectiva construtiva.Somos professores e professoras e rejeitamos a divisão em duas categorias. Por que razão certos alunos teriam professores de “primeira” categoria e outros de “segunda”?Para preparar o mês de Novembro, os professores irão concentrar-se, no dia 1 de Novembro, no Largo da Misericórdia, em Setúbal, entre as 18 e as 20 horas. Haverá intervenções das escolas em luta, de convidados, e apontamentos culturais (música e documentário).Contamos contigo! Reencaminha. Traz outro amigo também!Setúbal, 27 de Outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Vestido Azul

Num bairro pobre de uma cidade distante, morava uma menina muito bonita. Frequentava a escola local. A mãe não era muito cuidadosa com ela e por issoandava quase sempre suja. As suas roupas eram muito velhas e maltratadas.
A Professora tinha pena da situação da menina e um dia pensou:
- "Como é que uma menina tão bonita pode vir tão desleixada para a escola?".
Resolveu então comprar-lhe um vestido novo. Ela ficou linda no vestidinho azul!


Quando a mãe viu a filha naquele vestido azul, tão linda, pensou que erauma pena que a sua filha, com aquela roupa nova, fosse tão suja para a escola. Por isso, passou a dar-lhe banho todos os dias, penteava-lhe os seus cabelos, cortava-lhe as suas unhas...
Passados uns dias o pai falou:
- "Mulher, não achas uma vergonha que a nossa filha, sendo tão bonita e bem arrumada, more num lugar como este, a cair aos pedaços? Que tal se tu arrumasses melhor a casa? Nas horas vagas, eu vou pintar as paredes que bem precisam de uma pintura nova, depois arranjo a cerca, arranco as ervas daninhas e planto umas flores bonitas no nosso jardim."

A pequena casa, logo se começou a destacar pela beleza das flores que enchiam o jardim e pelo cuidado posto em todos os detalhes. Os vizinhos ficaram envergonhados por morarem em casas feias e sujas e resolveram também arranjar as suas casas, plantaram flores, usaram tinta e criatividade. Não demorou muito para que todo o bairro estivesse transformado...nem parecia o mesmo!

Um empresário ali da zona, que tinha acompanhado os esforços e as lutas daquela gente, para construir um bairro melhor, pensou que bem mereciam uma ajuda. Foi falar com o Presidente da Câmara que era seu amigo e a quem contou o que se estava a passar. Este ordenou imediatamente a uma comissão que fosse observar o bairro e estudasse qual a melhor forma de o melhorar.
A rua só tinha barro e lama. Asfaltou-se a estrada e foram construídos passeios. Plantaram-se árvores. Os esgotos, a céu aberto, foram canalizados e o bairro deixou de cheirar mal.

E tudo começou com um vestido azul...

A intenção daquela professora não era arranjar a rua, nem criar um movimento que melhorasse o bairro. Ela fez o que podia, deu a sua parte. Fez o primeiro movimento que acabou por fazer com que outras pessoas se motivassem e lutassem por melhorias.
Será que cada um de nós está a fazer a sua parte no lugar em que vive? Ou somos aqueles que só sabem apontar os buracos da rua, a violência do trânsito, a poluição, a falta de civismo?

De facto, é difícil mudar o estado actual das coisas. É difícil limpar toda a rua, mas é fácil não jogar lixo para o chão. É difícil reconstruir um planeta, mas é possível dar um vestido azul.
Há moedas de amor que valem mais do que os tesouros bancários, quando endereçadas no momento próprio e com bondade.


sábado, 18 de outubro de 2008

Apelo de Uma Professora!

Fuga para a Reforma




Este ano já foram embora seis professores e há mais 14 pedidos de reforma antecipada». O desabafo é de Rosário Gama, directora do conselho executivo da Escola Secundária Infanta D. Maria, em Coimbra - que assume estar cada vez mais preocupada com a avalanche de saídas precoces de docentes.
Este estabelecimento tem ocupado o lugar de melhor escola pública nos rankings dos últimos anos, mas nem isso faz os professores desistirem de ir embora
A situação é de tal forma que, neste momento a escola já não tem um único professor de História nos quadros. “Estão a sair os docentes com mais experiência e estão a ser substituídos por contratados”, conta a directora apreensiva com o impacto das saídas na qualidade do ensino. “ Anda tudo cansado, sobretudo por causa do novo modelo de avaliação dos professores”, explica Rosário Gama, que também já pediu a reforma e deve sair ainda durante este ano lectivo.
De acordo com os dados do Sindicato Independente dos Professores (SINDEP), em 2008 já se reformaram 5.060 docentes. Destes, 2.045 saíram antes do tempo. É o que se passa com Helena Castro. Aos 59 anos, a professora de Português vai deixar a escola, com uma penalização de 9% na pensão. Apesar de oficialmente já estar reformada, continua a dar aulas “porque a Direcção Regional ainda não enviou um substituto” e por não querer prejudicar os alunos.
Para a saída, invoca várias razões. “A primeira é a relação com os alunos, que se degradou muito”, conta, recordando as consequências que o modelo de avaliação trouxe para as escolas: “Depois de distribuir os testes, houve uma aluna que me perguntou se eu não ia ser avaliada pelas notas que lhes dava e se tinha a certeza de que lhes queria dar aquelas classificações”. Foi a última gota: “Percebi que não estava ali a fazer nada”.
A avaliação do desempenho que Helena Castro considera “economicista” o facilitismo “dos exames e dos programas” e a “degradação da imagem dos professores, muito graças às políticas do Ministério da Educação” são outras razões para deixar a profissão.

De 2000 para 390 Euros

Carlos Chagas, Presidente do SINDEP, prevê que em 2009 “aumente muito o número de reformas antecipadas”. Os motivos são, segundo o sindicalista, “as péssimas condições de trabalho, a sobrecarga de tarefas burocráticas e o peso das reprovações na avaliação e evolução da carreira”dos docentes.
O sindicalista diz que a pressão é tão grande, que alguns professores terminam a carreira mesmo perdendo muito dinheiro. Carlos Chagas dá o exemplo de um professor de Idanha-a-Nova que se reformou com 391,88 euros – “quando a reforma normal ronda em média os dois mil euros”.

Margarida Davim in Semanário Sol de 11/10/2008

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Manifestação - 8 de Novembro


Os professores regressam às acções de luta a 8 de Novembro, com uma manifestação nacional de protesto em Lisboa contra as políticas educativas e o ambiente vivido nas escolas, anunciaram esta quarta-feira sindicatos do sector.
Em conferência de Imprensa promovida pela Plataforma Sindical dos Professores, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, anunciou a convocação de uma manifestação que será "um momento de partida para reiniciar a luta no ano lectivo 2008/2009"."Oito meses depois da manifestação de 8 de Março, os professores vão voltar à rua no protesto e na luta contra as políticas educativas do Ministério da Educação [ME] e contra o clima muito complicado e de sufoco que se vive nas escolas", afirmou Mário Nogueira. Segundo o porta-voz da plataforma sindical, esta decisão foi tomada "perante a gravidade das propostas que são apresentadas pela tutela", sobretudo a que diz respeito à "avaliação de desempenho como factor de graduação profissional".Mário Nogueira sublinhou que a manifestação hoje convocada "não será comparável à de Março", que mobilizou cerca de 100 mil professores, porque não é esse o objectivo: "Março foi o culminar da luta do anterior ano lectivo. Esta servirá para reaquecer os motores e como um factor de pressão para exigir a possível alteração da legislação" da colocação de professores, explicou.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008